Se olharem para cima, para os nossos prédios horríveis e tristes, vão reparar que há um país à venda, intermediado por marcas internacionais de agências imobiliárias.
As placas têm cores fortes, números de telefone e um VENDE-SE (ou raríssimas vezes um ALUGA-SE).
São três as forças motrizes da nossa sociedade que fazem mexer o imobiliário-das-placas:
- famílias que aumentam (e passam de T1 para T2 ou de T2 para T3)
- famílias que perderam rendimentos (e fazem o percurso inverso)
- famílias que se desfazem, via divórcio (que também fazem o percurso inverso e entram pelo aluguer adentro)
Haveria muito a dizer sobre a compra de casa em Portugal
, passando pelo preço do dinheiro (os juros) ou pela costela de negociante que há em cada um de nós.
Mas falemos de outra coisa, das tais imobiliárias. Por que é que, em tempo de vacas magras, as imobiliárias tipo Remax, Century 21, Fita Métrica ou Era aparecem por todo o lado?
Alguma coisa deve estar a correr bem!
Os agentes imobiliários e os vendedores da casa têm interesses antagónicos e não o mesmo (suposto) objectivo de vender a casa pelo melhor preço possível!
Exemplificando:
A pessoa que vende quer, suponhamos, 250 mil euros.
Há uma pessoa interessada que oferece 180 mil euros.
A comissão é de 1% - pode variar entre 2500 euros ou 1800.
Entre 250 mil e 180 mil, estão 70 mil euros, 14 mil contos, ou um Mercedes topo de gama. É essa a diferença para quem vende (e para quem compra).
Se a casa for vendida pelo preço mais baixo, a comissão do agente sofrerá também um embate de 7 mil euros, ou meio Renault Clio.
O problema é este: por 250 mil o negócio não se faz, mas por 180 mil é possível.
Adivinhem por quem é que o agente imobiliário vai torcer: pelo (impossível) Mercedes do dono da casa ou pelo seu (bem real) meio Renault Clio?
Por quem lhe pediu que vendesse a casa ou por ele próprio?
Ah, como é divertido o capitalismo!