17 junho 2006

Remax, Era, Century 21 & Cia

Se olharem para cima, para os nossos prédios horríveis e tristes, vão reparar que há um país à venda, intermediado por marcas internacionais de agências imobiliárias.
As placas têm cores fortes, números de telefone e um VENDE-SE (ou raríssimas vezes um ALUGA-SE).

São três as forças motrizes da nossa sociedade que fazem mexer o imobiliário-das-placas:

- famílias que aumentam (e passam de T1 para T2 ou de T2 para T3)
- famílias que perderam rendimentos (e fazem o percurso inverso)
- famílias que se desfazem, via divórcio (que também fazem o percurso inverso e entram pelo aluguer adentro)

Haveria muito a dizer sobre a compra de casa em Portugal, passando pelo preço do dinheiro (os juros) ou pela costela de negociante que há em cada um de nós.

Mas falemos de outra coisa, das tais imobiliárias. Por que é que, em tempo de vacas magras, as imobiliárias tipo Remax, Century 21, Fita Métrica ou Era aparecem por todo o lado?
Alguma coisa deve estar a correr bem!


Os agentes imobiliários e os vendedores da casa têm interesses antagónicos e não o mesmo (suposto) objectivo de vender a casa pelo melhor preço possível!

Exemplificando:
A pessoa que vende quer, suponhamos, 250 mil euros.

Há uma pessoa interessada que oferece 180 mil euros.

A comissão é de 1% - pode variar entre 2500 euros ou 1800.

Entre 250 mil e 180 mil, estão 70 mil euros, 14 mil contos, ou um Mercedes topo de gama. É essa a diferença para quem vende (e para quem compra).

Se a casa for vendida pelo preço mais baixo, a comissão do agente sofrerá também um embate de 7 mil euros, ou meio Renault Clio.


O problema é este: por 250 mil o negócio não se faz, mas por 180 mil é possível.

Adivinhem por quem é que o agente imobiliário vai torcer: pelo (impossível) Mercedes do dono da casa ou pelo seu (bem real) meio Renault Clio?

Por quem lhe pediu que vendesse a casa ou por ele próprio?

Ah, como é divertido o capitalismo!

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